Marré-Marré-Marré

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Chegava a ser esquisito. Toda segunda. Às dez e quinze em ponto. Cem reais. Guichê três da Lotérica Sorte Grande. E a semana não era a mesma se não apostasse. Não, senhor. Tinha que ser na sena, ouviu bem? Que não era sujeito de se render a esses trololós de raspe e ganhe.

A caneta eram outros quinhentos.  Ponta fina. Preta. No bolso esquerdo da calça.  Daí mordia a tampa seis vezes. Três para cada lado. Benzia a testa. Estalava a língua. E, finalmente, ungido das dezenas mágicas, riscava os volantes. No ritual de sempre: jogar, ganhar, perder, continuar.

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