O amor é um bichinho que rói, rói, rói…

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O amor é um bichinho esquisito. Que já rendeu prosa. Verso. Churumelas dramáticas e até samba.

Cada qual ao seu modo. Dependendo do referencial.

Tem quem diz que o danado é manso. Cara e fuça do dono.

Outros, que é arisco. Pelo grosso e que pinica. Bonzinho só no começo. Depois, morde. Arranca pedaço. Nacos inteiros de coração. Dilacerados. Lanhando corpo e alma. E o que mais vier com eles.

Sei de quem tomou raiva. Até medo. Numa paúra da moléstia. Triste de ver e mais ainda de contar.

Difícil mesmo é fechar a conta. Quem provou da vida o seu bocado, sabe bem do estou falando. Conta de amor não zera. Nunca. Se insistir, vira dízima. E fica pra trás. Aquele quebradinho de nada. Incomodando e arrastando. Pelos séculos dos séculos. Amém.

Quer saber? Não tem receita. Nem conserto. Se é amor, é assim. Nem branco. Nem preto. Um Prêt-à-porter. E pronto.

Amor é protótipo de molde avariado. Filho único. Com a vantagem que pode dar certo. Dar cano. Ou dar n’água. Ô, dó…

Quando isso acontecer. Vale a regra do “chacoalha a cabeleira e entra na roda, vem dançar”. De novo. E de novo. E de novo. Se cansar, descanse uma. Depois volte. Enjoou, foi? Acontece. Nas melhores famílias.

Se nenhum amor sobrar, cultive o seu. Aquele tal de amor-próprio. Ouviu falar? Não tem contraindicação e vai bem com quase tudo.

Ficou sozinha? Grande coisa. Mas que cara é essa, menina?  Solidão não é o fim. Nem o começo. É só uma chance de ser feliz de outro jeito. Sem meias palavras. Nem meias medidas. Tem coisa melhor? Tem. Mas se não deu…

Então, solidão também é bicho. Assim como o outro. Mesmo planeta. Só que mais calado. Um olho no gato, outro no rato.

Conheço quem abraçou a ideia. E não é pouca gente, não. Quer saber? Partilho e incentivo. Ao menos é seguro. E com o que tem de bicho feio esparramado por aí…

O pior é a mulherada. Que grita. Depois sai, desembestada. Correndo atrás. Num que-te-pego-que-te-agarro descomunal. Como se, sem ele, fosse trincar. Quebrar. Morrer…

E não adianta avisar que é refugo. Que o traste é ruim. Desses que não presta nem pra esquentar banco. Pensa que ouve? Imagine. São dois choros. Um escandaloso, pra entrar. E um sofrido demais da conta, pra sair.

No final, vai ficar brava. Culpar os outros. A vida. E o amor, é claro. Que é bicho muito esquisito.

Vai entender, né?

Essa minha cabecinha…

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Saia Justa. Nó em pingo d’água. Até aí, você que escolha. O certo é que criança leva marmanjo no bico. E isso, há tempos, não é mais nenhuma novidade.

Dia desses foi em casa. Tenho uma de quase cinco. Esperta até não caber mais. Que me quebrou as pernas ao expressar, literalmente, sua intenção em não crescer.

Tomei por farra. Ou medo de perder o trono. Afinal, todo mundo sabe que “rei morto, rei posto”. Ou, trocando em miúdos: cresceu, ferrou! O fim de um império: quando um bebê, ainda mais rosinha e fofo, instaura o downsizing e estende a faixa, “sob nova direção”.

Mas, não.  Não era isso. Nada disso, aliás. Como a própria fez questão de enfatizar. Admitindo que até seria bom ter um outro alguém com quem brincar. De quem correr. Com quem cismar. Em que bater. Morder. Enfim…

E a insistência continua. Em letras góticas. Garrafais. Não quero crescer. Não vou. E ponto.

De onde vem tanta relutância? Quer saber? É criança. E dou de ombros.  Deixo pra lá. Quando casar, sara.

Pois é. Tá aí: lembra quando a gente crescia, casava, e era feliz para sempre? Então. Cabô.

Antes era assim. Simplinho. A lá preto no branco. Ou era casada. Ou, titia.

Agora? Engripou! Casar virou processo. Amigável ou litigioso. Envolve test drive. Recall. Outros. Outras. Os seus. Os meus. E os nossos.

Casamento vem datado. Com lote. Banca. Pose. Garantia que é bom, nada! Tem nêgo que apela: compra gato por lebre. Aceita mercadoria vencida, depois quer reclamar. E vai reclamar com quem, me diz?

Hoje, ninguém sabe se casa. Como. Nem quantas vezes. E o problema é de base. Começa cedo. Na escolha do eleito. Príncipe? Só na Disney. E olhe lá. Eu que não boto minha mãozinha no fogo. Por ninguém!

É tudo fake. Montagem da grossa e acochambrada. Espontaneidade virou história. Tipo câmera de rolo. Na era do digital, retoque pouco é bobagem. Estica, puxa, e põe no face. Depois pede que alguém adiciona. Sinceridade? Entrega? Comprometimento? Ui! Fale sério, vai…

Aí, um belo dia, a gente cansa. E prefere focar. No umbigo. Nos estudos. No trabalho. Nas viagens. Apartamentos. Carros. Iphones. Ipods. Ipads. Até que, Iputz! Tô sozinho e numa tristeza de matar!

Só que tá tarde. E a gente emburra. Amarra um beiço. Reclama da vida. Das costas. Dos quartos. Toma trinta aspirinas por semana. Café para acordar e ansiolítico para dormir.

E sai. Catando cavaco. Bem quando o mundo aperta. Num nó. De marinheiro. Numa vontade doida de voltar. Pro tempo em que viver pesava quase nada. E a gente podia brincar.

Como uma freada brusca, lembro da minha pequena. Que rabisca. Quietinha e satisfeita. Carinha manchada de azul. Um azul forte. Lindo que só vendo. 

Sabe o que eu faço? Sento. Pra observar. Quem sabe, assim, aprendo algo sobre essa tal felicidade fácil, que temos de sobra aos quatro. Perdemos de vista, lá pelos catorze. E, passamos o resto de nossas vidinhas bestas e adultas, tentando lembrar onde, raios, foi que largamos! Deve estar por aí. Num cantinho. Aqui em casa, mesmo. Só não lembro onde. Ai, essa minha cabecinha…