Um caso meio diferente

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De todas as suas esquisitices, aquela ganhou longe.

E ninguém soube o porquê. Nem mesmo ela. Que iniciou seu dia como sempre, pelas crianças. Mas ao invés do habitual, Hora de acordar!, o que se ouviu foi algo bem incomum.

_Hoje é quinta-feira, dezesseis de abril, e o Bom Dia Brasil está só começando…

Os filhos se entreolharam, mas decidiram tocar em frente, como se nada tivesse acontecido, O café tá pronto?

A mãe, como quem olha diretamente para uma câmera, aprumou e disse.

_E o brasileiro? Tem comida na mesa? Como estados e municípios tem atuado para garantir a segurança nutricional da população? Pra responder a essas e outras perguntas, estamos recebendo hoje em nossos estúdios a coordenadora geral da secretaria estadual de alimentação…

Mas era só a Chica. Boleira de mão cheia e há anos na família, Vim avisá que num tem leite. Nem dá pra buscá, qui tá uma friuzera danada lá fora…

Foi o suficiente para mãe reassumir as transmissões.

_Uma grande massa de ar frio acaba de chegar ao país. Isso explica as baixas temperaturas e as geadas. É o caso do Acre, por exemplo. Com mínima de doze graus em Rio Branco…

Pior ainda foi no carro, quando a mãe entrou em horário eleitoral gratuito. Na porta da escola, entrevistou dois professores e tentou uma exclusiva com um senhor estacionado em fila dupla.

Voltou pra casa a tempo de abrir o Vídeo Show, que veio com os seguintes destaques, As dicas de beleza da vó Cinira, o vídeo musical da poodle da vizinha e o papo aberto com o seu Borges, porteiro-faz-tudo que a dona Chica era doidinha pra pegar…

Sei que o encosto não largava. E quando o marido entrou em casa foi recebido aos berros de, Cachorro, canalha! Isso lá são horas de chegar? Tava com outra, acertei? Fale, tratante. Fale!

Faltou a ele enfartar. Mas foi atendido pelos filhos, que explicaram.

_Liga, não, pai. Passou o dia assim. Zapeando de programa em programa. E o senhor chegou bem na hora da novela…

Comeram em silêncio. Quebrado vez ou outra, quando chamava os comerciais.

Tentaram banho, chá de boldo, vick vaporub e reza pra descarrego. Nada. Com as manchetes desdobrando noite adentro. Até sair do ar. Quando simplesmente calou.

_Como está se sentindo? – quis saber o marido.

_Bem melhor – respondeu ela, aliviada.

Então apagaram as luzes. E ela teria virado e dormido, não fosse ele. Em pé sobre a cama.

_Tantarantantan-tarantantan… O Plantão da Globo informa: mãe acometida de transtorno psicológico não identificado finalmente se liberta do transe. Mais notícias você acompanha durante a nossa programação…

Um caso meio diferente

Criatura tão boa

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_Não quero saber –  esbravejou a doida ao telefone _ Você marcou comigo, Kaiane. E com amiga, a gente não fura, viu? Dar bolo em homem, manicure ou dentista, ainda vai. Em pai e mãe, chega a ser compreensível. Mas em amiga, nunca! Que é trairagem, da grossa. E isso não aceito. De jeito nenhum…

E nada a demovia _ Batizado? Piorou! E daí que é seu único sobrinho? Madrinha? Grandes coisas. Não vai ganhar um centavo a mais por isso, pelo contrário, criança é centro de custo que só dá despesa. Escute o que estou lhe falando – pra continuar, azeda que nem limão _ nem aí se sua irmã mora nos Estados Unidos. Conheço uma galera que também mora: Mickey, Pluto, Beyoncé e Clarabela. Agora pergunte se algum deles atrapalha meus programas? Ela que venha exclusivamente pra te ver em outro dia. Ou no jantar. Que do nosso almoço, não abro mão. E pare de insistir…

Como a outra não parou, nem ela _ Qual era o trato? Almoçarmos juntas todo santo dia, enquanto Deus nos desse forças. E isso inclui os domingos. Esse próximo, principalmente. Tradição é tradição. Se quebrar, dá azar. E disso estou farta. Cheinha até as tampas. Então, não desmarco. E pronto!

Foi quando engasgou _ Cuméquié? Ainda quer emprestado meu casquete flor de laranjeira com véu perolado e miçanguinhas? Mas é muito atrevimento! Você que ouse vir atrás do meu chapéu, que vai ouvir poucas e boas. Sendo assim, até domingo. E ai de você se não aparecer – desligou, sem chance de resposta.

Deu nem dois passos e o diacho do aparelho já tocava novamente.

_Acha que não tenho nada melhor pra fazer, não, criatura? Se é por falta de roupa pra lavar, arranjo um balde lotado pra você, me entendendo?  – mas a voz não era dela. Era dele _ Otacílio? Que coisa boa, criança. A hora é ótima! Sempre – e amansou _ Será um prazer reencontrar você, meu doce… Este domingo? Perfeitamente. A gente bem que podia sair pra dançar… Sei. À noite  não pode, né?… Só almoço… – e antes que ele capitulasse _ Eu? Tranquilíssima. Compromisso nenhum. Com ninguém. Imagine… Então, tá. Combinado. Beijinho na fuça, viu? Até domingo…

Nem esperou esfriar. Discou de volta pra amiga.

_Kaiane? Ô, Kaiane, minha amiga mais amada e querida! Diga cá uma coisa, florzinha linda, lembra do casquete? Pois é. Vem com luvinha. Não sabia, não? E, surpresa! Botei tudo numa caixinha e mandando entregar. Ah, o bombom de rum é pro menino. Como que menino? O que vai batizar, ué! E daí que só tem três meses? É chocolate, não contrafilé. Dá na mãozinha que ele chupa. Não vai dirigir, mesmo. Se a mãe reclamar, paciência. Nem Cristo agradou todo mundo, minha filha. Quem dirá eu… criatura singela e tão boa…

Criatura tão boa

O amor é um bichinho que rói, rói, rói…

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O amor é um bichinho esquisito. Que já rendeu prosa. Verso. Churumelas dramáticas e até samba.

Cada qual ao seu modo. Dependendo do referencial.

Tem quem diz que o danado é manso. Cara e fuça do dono.

Outros, que é arisco. Pelo grosso e que pinica. Bonzinho só no começo. Depois, morde. Arranca pedaço. Nacos inteiros de coração. Dilacerados. Lanhando corpo e alma. E o que mais vier com eles.

Sei de quem tomou raiva. Até medo. Numa paúra da moléstia. Triste de ver e mais ainda de contar.

Difícil mesmo é fechar a conta. Quem provou da vida o seu bocado, sabe bem do estou falando. Conta de amor não zera. Nunca. Se insistir, vira dízima. E fica pra trás. Aquele quebradinho de nada. Incomodando e arrastando. Pelos séculos dos séculos. Amém.

Quer saber? Não tem receita. Nem conserto. Se é amor, é assim. Nem branco. Nem preto. Um Prêt-à-porter. E pronto.

Amor é protótipo de molde avariado. Filho único. Com a vantagem que pode dar certo. Dar cano. Ou dar n’água. Ô, dó…

Quando isso acontecer. Vale a regra do “chacoalha a cabeleira e entra na roda, vem dançar”. De novo. E de novo. E de novo. Se cansar, descanse uma. Depois volte. Enjoou, foi? Acontece. Nas melhores famílias.

Se nenhum amor sobrar, cultive o seu. Aquele tal de amor-próprio. Ouviu falar? Não tem contraindicação e vai bem com quase tudo.

Ficou sozinha? Grande coisa. Mas que cara é essa, menina?  Solidão não é o fim. Nem o começo. É só uma chance de ser feliz de outro jeito. Sem meias palavras. Nem meias medidas. Tem coisa melhor? Tem. Mas se não deu…

Então, solidão também é bicho. Assim como o outro. Mesmo planeta. Só que mais calado. Um olho no gato, outro no rato.

Conheço quem abraçou a ideia. E não é pouca gente, não. Quer saber? Partilho e incentivo. Ao menos é seguro. E com o que tem de bicho feio esparramado por aí…

O pior é a mulherada. Que grita. Depois sai, desembestada. Correndo atrás. Num que-te-pego-que-te-agarro descomunal. Como se, sem ele, fosse trincar. Quebrar. Morrer…

E não adianta avisar que é refugo. Que o traste é ruim. Desses que não presta nem pra esquentar banco. Pensa que ouve? Imagine. São dois choros. Um escandaloso, pra entrar. E um sofrido demais da conta, pra sair.

No final, vai ficar brava. Culpar os outros. A vida. E o amor, é claro. Que é bicho muito esquisito.

Vai entender, né?

O Mala

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Com certeza, não foi uma boa ideia. Mas era tarde. Fazer o que, se já estavam lá.

Fileira C. Poltronas doze e treze, respectivamente. Ela, de longo. Ele, de tênis. Sentados e assistindo. Bom. Ao menos, ela. Sem perder um agudo que fosse. Enquanto que ele não parava um só minuto. Num mexe e remexe daqueles. Incomodando meio mundo.

_Que comichão é esse? – ralhou ela.

_Tô procurando o controle? Queria dar uma zapeada

_Tá doido, é? Por acaso acha que está onde? Isso é um teatro, homem! Eu, hein…

_É que não gostando muito dessa programação. Achei fraquinha…

_Fraquinha estou eu. E é da cabeça! Que não sei onde estava quando fui inventar de trazer você aqui…

_ E o som ruim demais! Não dá pra entender uma palavra do que dizem.

_Desde quando você fala italiano?

_Chame alguém, ande! Mande mexer no áudio. Ou pôr legenda. Que está me dando uma agonia daquelas.  E por falar em agonia, lá vêm eles cantando de novo…

Pareceu ter quietado. Por três longos minutos. Foi quando começou a assobiar.

A reação dela foi imediata. Num cutucão fenomenal. Praticamente um semicoice.

_Credo! – reclamou ele, que inventou de perguntar _ Será que cai?

_Quem?

_O Vasco, ué? Que horas são? Se perder hoje, já era. Matematicamente rebaixado. Sem choro nem vela…  

O shhhhhhhhhh veio de trás. Fileiras D, E ou F. Difícil precisar a fonte.

Ela encolheu. Virou tatu-bolinha. Ele nem fez conta. Seguia aborrecido e perturbando. Mais que nunca. Tamborilava alto. Estalando os beiços. Chacoalhava o corpo e a poltrona ia com ele. Fazendo o contraponto.

Novos olhares. Ela choraminga.

_Dá pra sossegar? Você é impossível!

_E você é uma lindinha! – retrucou o sonso _ Agora, aproveite o elogio e busque uma cervejinha pro papai.  Tô precisando muito molhar o bico, viu?

_ Isso aqui não é boteco, não! É lugar fino, criatura…

_Já vi tudo! Não tem breja na budega

_Jesuisssss…

_ Bom pra aprender. Da próxima vez trago de casa. Um isopor cheinho assim…

Outro shhhhhhhhhh. E esse tinha nome, sobrenome e bico torto. Sem falar que vinha de todos os lados. 

_Viu, só? Tá feliz?

_ Se ao menos cantassem mais baixo. Ainda se fosse um pagodinho… 

_Desisto de você!

Debandou pro lado dela. Cheio de dedos e de graça _ Desiste não, pintinha

_ Você não tem jeito…

_Prometo que volto bonzinho.

_Volta? De onde?

_Do banheiro. Que tô aperreado. Fale pra galera dar um pause – bem quando tocou o telefone _ Carlão? E aí, meu brother!

O desconforto foi geral.

E ele tentou explicar _ Gente, é o Carlão…

_Mas será o Benedito? – insurgiu-se ela.

Quando começaram a acreditar numa trégua humanitária, surgiu ele de novo.

_ vendo algum garçom por aí? 

_Hein???

_Esquente não, que vou buscar. Que prefere? Fritas? Linguicinha? Ih… Que cara é essa? Se queria pastel, era só falar…

_ Quer saber? Cansei. Pra mim, chega!

E catou sua bolsinha, decidida a partir.

Foi a vez dele interpor recurso.

_Peraí. Peraí. Que essa eu conheço – e soltou a voz no mundo _ Funiculí, Funiculá. Funiculí, Funiculáaaaaaa…

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Um espírito baixou lá em casa

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Ontem um espírito baixou lá em casa. Nele. Antes fosse em mim. Assim dava de louca. Desopilava. Mas, não. Ficamos os dois. Ali. Confinados. Com ele azucrinando. Caçando encrenca. Sem parada. Nem porquê.

E olhe que dar chilique é comigo mesma. Mas cuidar do piti alheio, comadre, já é outro departamento. Ainda mais se vem barbado. Com quase dois metros de espinhela caída. E justo pro lado de quem! Desestruturei. Saí desfiando rente. Talhando beicinho à faca.

Tentei mudar de assunto. Virar o disco. Seguir em frente. Não funcionou. E o pelego só piorava. Quer saber? É trabalho. E dos bravos. Só pode. Já devo estar acumulando milhas. Para as próximas vinte encarnações.  No mínimo. Assim volto raio de luz. Vaca indiana. Ou herdeira da Madonna. Vai saber, né?

Invoco, então, as infalíveis. Aquelas que fazem a Liga da Justiça parecer a Vila dos Smurfs. São elas. As minhas vizinhas. Palpiteiras de ocasião. Com jeitinho para quase tudo. De simpatia do bucho cheio a como invadir um Wi-Fi em dez lições. Sem mestre, nem senha.

Sugestão 1: descarrego.

Recuei. Lembrei da Jovelina. Cujo marido embatumou num repente. A pobre diaba tentou tudo. Abnegação. Mimos. Atenção redobrada. Abriu mão da família. Amigos. Trabalho. Até do horário no salão. E nada. Absolutamente nada! Foi quando apelou. A um padre. Exorcista. Sétimo dan em aikido.

As visitas foram tantas, que fugiram. Ela e o sacerdote. Num fusquinha amarelo. Airbag duplo. Sensor de ré. Travas elétricas. Ótimo estado de uso. Ouvi dizer que estão tentando vender. Trocar por passagens para ir a Roma. Ver o papa. Se souberem de algum interessado…

Sugestão 2: chá de vem-cá-meu-nêgo (ou melô do “guenta”-bem-dado)

Vai nessa! Lembram da Aleluia? Quase morreu, a infeliz. O fulano, de tão entusiasmado, só pensava em encostar. Enquanto a outra, pobrezinha, mal andava. Sofria até para respirar. Fraquinha. Esquálida. Vista turva. E ele querendo mais. Da missa, o terço. Todinho. Guloso. Eu, hein? Prefiro o xarope ao unguento. Benza-Deus!

Sugestão 5.698…

Ai. Ai. Melhor parar por aqui. Se for esperto, ele que se corrija. Sozinho. Por conta e risco. Afinal, o acordo foi claro: te faço feliz e você retribui. Sempre na mesma moeda. Não era isso, não? Sei… Letras miúdas no rodapé? Tá… Não vi. Mesmo. Por falar nisso, aproveite para ver se estou lá, esperando na esquina. Quem sabe, quando voltar…

Eu? Cansei dessa vida. Resolvi sossegar. E desvirar o santo. Aquele. O Antônio. Que esqueci há uns três anos. No fundo de um armário escuro. De cabeça para baixo. Afogado num copo d’água e amarrado em silver tape.

Só pode ser revanche. Ah, meu Santinho, pegue leve com essa moça. Era brincadeira, viu? Beato mal-humorado, gente! Credo…

Quer namorar comigo?

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Terminou num beijo. Ou começou. Depende do referencial. O ponto é que algo surgiu entre eles. Com paixão e intensidade.

Ela nem piscava. Era puro sorriso. Rasgado. De orelha a orelha. Sonhava acordada. Com ele. Que retesou o corpo enquanto procurava. Remexeu aqui e ali. Revirou os bolsos. Não sossegou até encontrar.

_Arrá! Aqui está – repousando uma cadernetinha surrada sobre a mesa.

_Que é isso? – perguntou, curiosa.

_ Bom, agora que está tudo certo entre nós, melhor deixar claro umas coisinhas. É como minha mãe costuma falar: o combinado não é caro. Então, vou fazer umas perguntinhas. Bobagens. Nem esquente. Aí, é só calibrar. E seguir. Felizes para todo o sempre. Tudo bem pra você?

_Mande!

_Vejamos… Você cozinha?

_Não muito bem, mas…

_Como assim “não muito bem?” O trivial básico você garante, né? Não ganho pra comer fora todo dia, não! Sem falar na minha gastrite. Na alergia a conservantes. E na intolerância a cloreto de sódio. Dá azia, sabe? Uma azia tão grande. Uma queimação…

_Hein?

_E lavar e passar? Você sabe, não sabe? Engomar, minha mãe ensina. Só não pergunta demais. Ela odeia quem fica perguntando. De resto é fácil. Com exceção das camisas. Que essas prefiro à mão. Bom que vai acostumando. Caleja pra quando vierem as crianças. Roupa de criança é terrível. Encolhe e rasga só de olhar. Digo isso porque tenho duas. Meninas. Uma do primeiro, outra do segundo casamento…

_Segundo?

_Por falar em crianças, já pensou em conversão?

_Oi?

_É que sou judeu. Ortodoxo. E minha mãe não admitiria um filho de ventre não-hebreu. Imagine quatro.

_Quatro?

_Cinco? Prefere cinco? Por mim, até seis. Amo família grande. Barulhenta, não! Mas, grande! E que guarde os sábados. Jejue. Uma beleza. Vai por mim. Vai por mim…

Agora é ela quem se mexe. E remexe. Numa agonia da gota. Quase pula.

_Que foi, minha chickabiddy? Algum problema?

_Está ouvindo isso? Meu celular. Acho que está tocando…

_Por falar nisso, aproveite e cancele o facebook. Temos uma única inscrição para a família. Melhor assim, não acha? Imagine só, quanta bobagem! Instagram. Candy Crush. Whatsapp…

_Noooossa. É ele mesmo. E está gritando meu nome. Lá longe. No banheiro…

_Aonde você vai?

__Ao banheiro. Já disse.

_Bexiga baixa. Adivinhei? Tenho uma tia assim, pobrezinha. O final nunca é bom: infecção ou incontinência. Daí, pra controlar, só mesmo no fraldão. Pra você, melhor G. Quase nem vaza. Uma beleza. Embalagem com oito ou doze unidades…

Ela nem ouviu a metade. Já que corria. Muito. Dobrava quase cinco quadras e ainda achava pouco. Sumiu. Nunca mais foi vista. Ao menos não por ele. Que coisa, né, gente? Casal tão bonito…