Aconteceu no Natal

2 Comentários

Vocês que reclamam da vida, não sabem a dureza que é ser Mamãe Noel.

Dia de Natal, então, o pânico era geral. Com o bom velhinho desabando pelos cantos, largando tudo quanto havia pelo caminho: gorro. Meias. Botas. Renas. Numa bagunça de doer.

_Mas será o Benedito, Noel? Dava para ao menos uma vez ao ano estacionar esses malditos bezerros do lado de fora? Assim não tem santa que aguente, meu filho! _ vinha ela reclamando_ Eu, por mim, teria dado fim nesses sacos de pulgas faz tempo. Mas não! Tinha que investir todas as nossas economias num trenó. Movido a veado, ainda por cima. Fala sério, velho bobo – retomando na sequência_ E essas roupas pelo chão, hein? Põe no cesto, homem de Deus. Afff!!!

Continuar Lendo »

A Atendente

7 Comentários

Passava das sete da noite quando a velhinha atendeu. E a fulana saiu matraqueando, doida pra fazer bonito em seu primeiro dia de trabalho.

_Dona Sônia? Como vai? Entro em contato por conta duma…

_Ô, filhinha, que bom que perguntou. bem, não, viu? Na verdade, tenho sentido uma dor terrível nas costas. E uma fisgada esquisitas nas pernas. Ontem, mesmo, meu pé tava todinho inchado – e prosseguiu_ O peito, então? Nem se fala. É dia e noite numa ronqueira danada. ouvindo só o chiado? – emitindo sons desconfortáveis, enquanto cuspia e escarrava. Num acesso de tosse dos diabos.

_Acontece que eu…

Continuar Lendo »

Ô, manhê!

4 Comentários

Pense numa mulher doida por séries de Tv. Pois é. Agora, vá multiplicando. Até ficar insuportável. Taí. A própria. Que além de fanática numa boa história, era, também, a mãe de um bebezinho lindo.

Mas a pura santa verdade é que depois de várias temporadas, finalmente, era chegado o dia do Grand Finale. Com a tal em penitência. Mal dormiu, nem comeu. Aguardando pelo início do capítulo final.

Então, vejamos: desligou celulares? Sim. Estourou pipoca? Opa! Catou seu bebê e amarfanhou na poltroninha? Nem precisa perguntar de novo.

E começou. Com a Rainha Boa encurralada por lobos famintos. Que pior não lhe fizeram por conta de alguém surgido detrás das moitas. Amigo? Inimigo? O jeito era pagar pra ver.

Continuar Lendo »

Finou-se

10 Comentários

Sabe sogra-caruncho? Pois o Zé tinha uma. Que passou dessa para melhor.

Sobrou a ele cuidar das formalidades. Então, quedou-se. Esperando pelo moço da funerária que não veio. Ficou pelo caminho. O motivo ninguém soube.

Acontece que em seu lugar apareceu outro. Um exterminador. Que do enterro nada sabia. Mas entendia de insetos. E tudo sobre o seu controle em empresas e residências.

Continuar Lendo »

Beijinho Doce

8 Comentários

Só sei que a mãe saiu, deixando a menina na cozinha com o pai. Parece que iriam cozinhar. Ou algo próximo a isso, já que o paizão foi ligando a TV e gritando:

_Vamô, povo! Pra cima deles

Sobrou a ela trabalhar sozinha. Tirando tudo da geladeira. Armários. E perguntando.

_Isso vai? – pra calda de chocolate. Ovos. Fermento. Farinha. Mostarda preta. Repolho. Cebola roxa. Suco de uva. Leite. E maionese de macarrão.

Continuar Lendo »

Vovó Gamers Club

8 Comentários

Aconteceu como todos os dias. Com a mãe saindo pra trabalhar e deixando a avó de olho no menino. Que jogando estava, jogando continuou.

Assim passaram a manhã todinha. Sem novidades. Com o moleque grudado ao console e a TV. Não fosse um piriri fora de hora, acabando de vez com toda aquela brincadeira.

_Vó, corre aqui. Joga por mim, vai? Dois minutinhos… – gemeu o garoto, barriguinha entre as mãos.

Sei não, reclamou a senhorinha, Sei não…

Continuar Lendo »

Ambrósio

Deixe um comentário

Sexta à noite e ela em casa. Doidinha por uma rua. Mas a chance era pouca. Pra não dizer nenhuma. Namorado? Não tinha. Amigas? A maioria viajando, afora as casadas, as gripadas e as cansadas-com-sono.  Sobrou ele. O irmão. Um grandessíssimo dum chato de galochas. Desses que combinam xadrez com calça curta de tergal. Enfim, apelou.

_Posso saber aonde vamos?

Continuar Lendo »