Simples Assim

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Pelo. Pouco ou muito, todo mundo tem. Homem nem liga. Tem até quem ache bonito. Já a mulherada reclama. Menina-moça, odeia. Daí vale tudo. Creme. Descolorante. Pinça. Reza. Ou colar aos pés da mãe azucrinando, do jeitinho que foi lá em casa. Com a muchachita insistindo e perturbando até não poder mais.

_Mãe, me leva ao salão? Leva? Por favor.  A fulana, vai. A beltrana, também. A cicrana, virou sócia do lugar. Só eu, não. Nunca depilei. A única da escola. Por que não posso ser como as meninas da minha idade?

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Contando ninguém acredita

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A casa era assim dividida. No andar de cima, ele. Apaixonado por ela. A linda moça do andar de baixo. O que seria até bem simples, não tivesse ela pai, mãe, três irmãos, avó doida e papagaio.

Pra piorar, o pai era uma fera. E tinha um cachorro que era uma verdadeira onça. Talvez por isso fizesse questão de olhar pra ela de longe. Disposto a não dar na vista. Até o fatídico dia, quando ouviu a mãe dela reclamando.

_ Chega de sol, menina. Quer virar pururuca, é? E esse biquíni? Vê se isso é roupa de gente…

Biquíni?, tremelicou o pobre, em meio a uma chuveirada, Quedê a toalha? Quedê?, na pressa,  acabou metido numa toalhinha micha de rosto. Daí fugiu pra varanda. Sapear. Continuar Lendo »

Ô, manhê!

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Pense numa mulher doida por séries de Tv. Pois é. Agora, vá multiplicando. Até ficar insuportável. Taí. A própria. Que além de fanática numa boa história, era, também, a mãe de um bebezinho lindo.

Mas a pura santa verdade é que depois de várias temporadas, finalmente, era chegado o dia do Grand Finale. Com a tal em penitência. Mal dormiu, nem comeu. Aguardando pelo início do capítulo final.

Então, vejamos: desligou celulares? Sim. Estourou pipoca? Opa! Catou seu bebê e amarfanhou na poltroninha? Nem precisa perguntar de novo.

E começou. Com a Rainha Boa encurralada por lobos famintos. Que pior não lhe fizeram por conta de alguém surgido detrás das moitas. Amigo? Inimigo? O jeito era pagar pra ver.

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Finou-se

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Sabe sogra-caruncho? Pois o Zé tinha uma. Que passou dessa para melhor.

Sobrou a ele cuidar das formalidades. Então, quedou-se. Esperando pelo moço da funerária que não veio. Ficou pelo caminho. O motivo ninguém soube.

Acontece que em seu lugar apareceu outro. Um exterminador. Que do enterro nada sabia. Mas entendia de insetos. E tudo sobre o seu controle em empresas e residências.

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Vai que é tua

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Dia de sol na Vila Olímpica. E na casa dos Silva, também.

Com a mãe tomando posição.

Acorda um, dois, três, põe a casa em pé e eles partem. É café, mochila, um que engasga, outro que golfa, com ela entrando na fase dos arremessos. O bloqueio cresce pra cima dela. Que mira e lança: pratos, copos, fraldas e no rebote vão as crianças. E tem barreira na porta da escola. Mas ela esquiva num lance livre e chama na responsa: é de mãe pra filho, garotinha!

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Beijinho Doce

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Só sei que a mãe saiu, deixando a menina na cozinha com o pai. Parece que iriam cozinhar. Ou algo próximo a isso, já que o paizão foi ligando a TV e gritando:

_Vamô, povo! Pra cima deles

Sobrou a ela trabalhar sozinha. Tirando tudo da geladeira. Armários. E perguntando.

_Isso vai? – pra calda de chocolate. Ovos. Fermento. Farinha. Mostarda preta. Repolho. Cebola roxa. Suco de uva. Leite. E maionese de macarrão.

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Vovó Gamers Club

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Aconteceu como todos os dias. Com a mãe saindo pra trabalhar e deixando a avó de olho no menino. Que jogando estava, jogando continuou.

Assim passaram a manhã todinha. Sem novidades. Com o moleque grudado ao console e a TV. Não fosse um piriri fora de hora, acabando de vez com toda aquela brincadeira.

_Vó, corre aqui. Joga por mim, vai? Dois minutinhos… – gemeu o garoto, barriguinha entre as mãos.

Sei não, reclamou a senhorinha, Sei não…

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