Marré-Marré-Marré

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Chegava a ser esquisito. Toda segunda. Às dez e quinze em ponto. Cem reais. Guichê três da Lotérica Sorte Grande. E a semana não era a mesma se não apostasse. Não, senhor. Tinha que ser na sena, ouviu bem? Que não era sujeito de se render a esses trololós de raspe e ganhe.

A caneta eram outros quinhentos.  Ponta fina. Preta. No bolso esquerdo da calça.  Daí mordia a tampa seis vezes. Três para cada lado. Benzia a testa. Estalava a língua. E, finalmente, ungido das dezenas mágicas, riscava os volantes. No ritual de sempre: jogar, ganhar, perder, continuar.

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Segundas Intenções

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Voltou para casa mais cedo. Eufórica. Perturbando a vizinhança inteira.

_Cês viram? Estreia nesta quinta: Marcas de um amor. Parte seis. A lenda continua. E aí? Quem topa?

Nenhuma resposta. Pelo contrário. A mãe alegou cansaço e uma crise reincidente de labirintite. A irmã, trabalho. E assim, todos. Um por um. Tia. Tio. Concunhado. Conhecida de porta. Mocinha que vende Avon. Até que colou numa amiga mais chegada. Com quem insistiu, à plena carga.
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