Você vem?

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Primeira vez é osso. E ele tinha pressa. Então, nem esperou muito e foi logo marcando um hotelzinho no centro, mesmo. No dia combinado, compareceram os dois.

Se bem que ela, ressabiada, saiu botando reparo em tudo. Da idade das colchas ao encardido do assoalho. E avisou, Por sorte, vim preparada. Melhor que isso: preparadíssima!, sacando dum par de luvas amarelas de látex, ideal pra limpeza pesada. Mais escovas sanitárias e desentupidor. E, sentada ao chão, pôs-se a esfregar.

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Vai vendo…

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Primeiro carnaval juntinhos. E ao moço, coube optar.

De um lado o econômico e democrático Bloco do Simpatia É Quase Amor, com milhares de foliões incendiados, gingando e pingando, coladinhos uns aos outros pelos sovacos, quadris e cangotes. Outra opção seria arrendar um exclusivo ninho de amor nalgum canto de ilha selvagem muito pouco visitado. Os olhos da cara, adianto. Mas a privacidade e o conforto valiam. Centavo a centavo. E ele pulou no abismo.

Fechou casa pra dois, mais lancha e luau. Seu dinheiro gastou a rodo. O que fez a pequena suspirar. Portentosa. Mas de repente estancou, numa pergunta inusitada.

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Contando ninguém acredita

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A casa era assim dividida. No andar de cima, ele. Apaixonado por ela. A linda moça do andar de baixo. O que seria até bem simples, não tivesse ela pai, mãe, três irmãos, avó doida e papagaio.

Pra piorar, o pai era uma fera. E tinha um cachorro que era uma verdadeira onça. Talvez por isso fizesse questão de olhar pra ela de longe. Disposto a não dar na vista. Até o fatídico dia, quando ouviu a mãe dela reclamando.

_ Chega de sol, menina. Quer virar pururuca, é? E esse biquíni? Vê se isso é roupa de gente…

Biquíni?, tremelicou o pobre, em meio a uma chuveirada, Quedê a toalha? Quedê?, na pressa,  acabou metido numa toalhinha micha de rosto. Daí fugiu pra varanda. Sapear. Continuar Lendo »

Cuti-Cuti

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Bom dia, moreco-pimpão! Quem é o cajuzinho-Xtudo, mozão-mais-cuti-cuti da minha vida, hein?, mandou ela por whatsapp. Interrompendo a reunião dele. Não satisfeita, tratou logo de acrescentar dúzia e meia de carinhas sorridentes. Mais vinte coraçõezinhos. Vinte, não. Trinta. E um golfinho ao final. Pronto. Agora, sim. E aguardou. Até que ele leu. Mas responder que é bom, nada. Sendo assim, voltou à carga.

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Misericórdia

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_Jantar de amigos? De novo! – emburrou ele.

_Qual é o drama? –  emendou ela, lacônica _Há coisas piores…

_ Fale por você – resmungou o bicho do mato. Desses que não abrem a boca por nada. Capaz de passar uma noite inteira convertido em estátua, num silêncio obtuso_ Esse negócio de frequentar não é comigo. Gente nova me dá arrepios. Principalmente se vêm em bando…

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