Você vem?

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Primeira vez é osso. E ele tinha pressa. Então, nem esperou muito e foi logo marcando um hotelzinho no centro, mesmo. No dia combinado, compareceram os dois.

Se bem que ela, ressabiada, saiu botando reparo em tudo. Da idade das colchas ao encardido do assoalho. E avisou, Por sorte, vim preparada. Melhor que isso: preparadíssima!, sacando dum par de luvas amarelas de látex, ideal pra limpeza pesada. Mais escovas sanitárias e desentupidor. E, sentada ao chão, pôs-se a esfregar.

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Marré-Marré-Marré

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Chegava a ser esquisito. Toda segunda. Às dez e quinze em ponto. Cem reais. Guichê três da Lotérica Sorte Grande. E a semana não era a mesma se não apostasse. Não, senhor. Tinha que ser na sena, ouviu bem? Que não era sujeito de se render a esses trololós de raspe e ganhe.

A caneta eram outros quinhentos.  Ponta fina. Preta. No bolso esquerdo da calça.  Daí mordia a tampa seis vezes. Três para cada lado. Benzia a testa. Estalava a língua. E, finalmente, ungido das dezenas mágicas, riscava os volantes. No ritual de sempre: jogar, ganhar, perder, continuar.

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Vai vendo…

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Primeiro carnaval juntinhos. E ao moço, coube optar.

De um lado o econômico e democrático Bloco do Simpatia É Quase Amor, com milhares de foliões incendiados, gingando e pingando, coladinhos uns aos outros pelos sovacos, quadris e cangotes. Outra opção seria arrendar um exclusivo ninho de amor nalgum canto de ilha selvagem muito pouco visitado. Os olhos da cara, adianto. Mas a privacidade e o conforto valiam. Centavo a centavo. E ele pulou no abismo.

Fechou casa pra dois, mais lancha e luau. Seu dinheiro gastou a rodo. O que fez a pequena suspirar. Portentosa. Mas de repente estancou, numa pergunta inusitada.

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Então, Tudo De Novo

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No farol um arrastão comendo solto. Em meio ao bololô um motorista esperava. Pacientemente. Quando deu de cara com um meliante terrível, a quem fez questão de explicar.

_Desculpe, mas sou fixo do Arruela. Há mais de três anos que só ele me assalta. Fica pra próxima, pode ser?

_Foi mal, Patrão. O Arruela atrasado, mas já-já taí. O senhor pode aguardar?

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Aconteceu no Natal

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Vocês que reclamam da vida, não sabem a dureza que é ser Mamãe Noel.

Dia de Natal, então, o pânico era geral. Com o bom velhinho desabando pelos cantos, largando tudo quanto havia pelo caminho: gorro. Meias. Botas. Renas. Numa bagunça de doer.

_Mas será o Benedito, Noel? Dava para ao menos uma vez ao ano estacionar esses malditos bezerros do lado de fora? Assim não tem santa que aguente, meu filho! _ vinha ela reclamando_ Eu, por mim, teria dado fim nesses sacos de pulgas faz tempo. Mas não! Tinha que investir todas as nossas economias num trenó. Movido a veado, ainda por cima. Fala sério, velho bobo – retomando na sequência_ E essas roupas pelo chão, hein? Põe no cesto, homem de Deus. Afff!!!

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A Atendente

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Passava das sete da noite quando a velhinha atendeu. E a fulana saiu matraqueando, doida pra fazer bonito em seu primeiro dia de trabalho.

_Dona Sônia? Como vai? Entro em contato por conta duma…

_Ô, filhinha, que bom que perguntou. bem, não, viu? Na verdade, tenho sentido uma dor terrível nas costas. E uma fisgada esquisitas nas pernas. Ontem, mesmo, meu pé tava todinho inchado – e prosseguiu_ O peito, então? Nem se fala. É dia e noite numa ronqueira danada. ouvindo só o chiado? – emitindo sons desconfortáveis, enquanto cuspia e escarrava. Num acesso de tosse dos diabos.

_Acontece que eu…

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