Marré-Marré-Marré

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Chegava a ser esquisito. Toda segunda. Às dez e quinze em ponto. Cem reais. Guichê três da Lotérica Sorte Grande. E a semana não era a mesma se não apostasse. Não, senhor. Tinha que ser na sena, ouviu bem? Que não era sujeito de se render a esses trololós de raspe e ganhe.

A caneta eram outros quinhentos.  Ponta fina. Preta. No bolso esquerdo da calça.  Daí mordia a tampa seis vezes. Três para cada lado. Benzia a testa. Estalava a língua. E, finalmente, ungido das dezenas mágicas, riscava os volantes. No ritual de sempre: jogar, ganhar, perder, continuar.

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Pai-Trinca de Ases

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A rigor, bastou o fulano virar pai para as apostas começarem. E não tem santo que invista suas fichas no coitado. Já que papai autodidata larga nas últimas colocações. Perdendo feio pra coisinha babenta que urra em si bemol contralto pela madrugada inteira. Daí derrapa nas fraldas, patina no banho, veste o fedelho pelo avesso, nunca sabe qual pomada vai onde, nem que bombons, chocolates, balas e dropes, mesmo que acompanhados de pipoca e fritas, não constituem uma refeição balanceada. Mas não, mesmo!

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Perfil de Mãe

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Mãe não é gente. Já que gente, cansa. Senta se tem vontade. E quando chega à noite, dorme. Mãe, não. Cochila. Pisca o olho uma vez ou outra. Acontece que filho quando nasce é a coisa mais linda. Mas botou a boca no mundo, bastou. E isso é só o começo. Depois, piora. Mas esquente, não, viu?  Mãe, dá conta. Acha até graça. E logo embarriga de novo. Pode isso? Pior que pode. Continuar Lendo »

Simples Assim

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Pelo. Pouco ou muito, todo mundo tem. Homem nem liga. Tem até quem ache bonito. Já a mulherada reclama. Menina-moça, odeia. Daí vale tudo. Creme. Descolorante. Pinça. Reza. Ou colar aos pés da mãe azucrinando, do jeitinho que foi lá em casa. Com a muchachita insistindo e perturbando até não poder mais.

_Mãe, me leva ao salão? Leva? Por favor.  A fulana, vai. A beltrana, também. A cicrana, virou sócia do lugar. Só eu, não. Nunca depilei. A única da escola. Por que não posso ser como as meninas da minha idade?

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Contando ninguém acredita

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A casa era assim dividida. No andar de cima, ele. Apaixonado por ela. A linda moça do andar de baixo. O que seria até bem simples, não tivesse ela pai, mãe, três irmãos, avó doida e papagaio.

Pra piorar, o pai era uma fera. E tinha um cachorro que era uma verdadeira onça. Talvez por isso fizesse questão de olhar pra ela de longe. Disposto a não dar na vista. Até o fatídico dia, quando ouviu a mãe dela reclamando.

_ Chega de sol, menina. Quer virar pururuca, é? E esse biquíni? Vê se isso é roupa de gente…

Biquíni?, tremelicou o pobre, em meio a uma chuveirada, Quedê a toalha? Quedê?, na pressa,  acabou metido numa toalhinha micha de rosto. Daí fugiu pra varanda. Sapear. Continuar Lendo »

Ô, manhê!

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Pense numa mulher doida por séries de Tv. Pois é. Agora, vá multiplicando. Até ficar insuportável. Taí. A própria. Que além de fanática numa boa história, era, também, a mãe de um bebezinho lindo.

Mas a pura santa verdade é que depois de várias temporadas, finalmente, era chegado o dia do Grand Finale. Com a tal em penitência. Mal dormiu, nem comeu. Aguardando pelo início do capítulo final.

Então, vejamos: desligou celulares? Sim. Estourou pipoca? Opa! Catou seu bebê e amarfanhou na poltroninha? Nem precisa perguntar de novo.

E começou. Com a Rainha Boa encurralada por lobos famintos. Que pior não lhe fizeram por conta de alguém surgido detrás das moitas. Amigo? Inimigo? O jeito era pagar pra ver.

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Finou-se

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Sabe sogra-caruncho? Pois o Zé tinha uma. Que passou dessa para melhor.

Sobrou a ele cuidar das formalidades. Então, quedou-se. Esperando pelo moço da funerária que não veio. Ficou pelo caminho. O motivo ninguém soube.

Acontece que em seu lugar apareceu outro. Um exterminador. Que do enterro nada sabia. Mas entendia de insetos. E tudo sobre o seu controle em empresas e residências.

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