Mulheres

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Mulher é bicho engraçado. Hormonalmente confuso. E que demanda uma manutenção que não está no gibi. É unha. Cabelo. Vitamina disso e reposição daquilo. Sem falar na drenagem, academia, depilação. Que pode muito bem ser a laser. Ou de mel. E tem ainda a carnaúba. Última moda. Remove não só os pelos como manchas e riscos. E de lambuja dá um lustro uniforme ao final.

Bom seria se parássemos por aí, certo? Errado. Como já disse, somos complexas. E peritas em  botar defeito onde não tem. Se tem, então, danou-se. Que o jeito é apelar a lanternagem descarada. Dessas que contemplam frente-verso e dão direito a lavagem, polimento e cristalização.

Mas espere um momento. Será que ouvi alguém no fundão mencionar Martelinho de Ouro? Sério? Como diria minha filha, Que coisa mais uó! Ou traduzindo em português arcaico, Sai dessa, nêga! Muito mais eficiente é o lifting com demão tripla de cera. Para as mais abastadas indico a lipocavitação com funilaria e pintura. Destruição quase certa das gordurinhas mexeriqueiras, que vivem se intrometendo onde não são chamadas.  Quase, ouviu? Só quase. Que livre-livre de flacidez, celulite e pneuzinhos só mesmo nascendo de novo. De preferência homem. Aí, quem sabe. Se bem que pé frio como sou, tenho cá minhas dúvidas.

Pra você, vou confessar. A vontade que tenho é de abdicar de vez da carteirinha de vacinação e trocar por um manual de revisões periódicas. De preferência com um programa de milhagens bem generoso, todinho convertido em horas de voo. Ou de salão.

Pensando bem, esqueça Roma. Orlando. Ou Budapeste. Afinal, quem em sã consciência trocaria um clareamento gradativo das madeixas por nove horas encalacrado numa poltrona econômica? Se fizer biquinho e chamar de coiffeur, então,  apaixono. Chego a ficar arrepiada. Sente só…

Aliás, detesto. E adoro. Ou melhor detesto ao mesmo tempo que adoro. E explico. Detesto ficar de molho, cheirando a tinta e reparador de pontas. Mas o resultado faz com que esqueça do pescoço torto no lavatório e da raiva que dá folhear essas revistas de mil novecentos e bolinhas. Onde, enquanto me esfalfo em aguarrás e ácido hialurônico para manter minimamente minhas especificações de fábrica, sempre tem uma ninfeta linda e rica, que tem a petulância de aparecer ainda mais nova, mais linda e mais rica num spa-castelo-tudo-de-bom na Antuérpia. Entupida de lasagne quattro formaggi. Segurando uma flute de champagne cristal.  E ao lado de um príncipe belga com mais gominhos que uma ponkan cevada. A maldade fica por conta da legenda: superstar em dieta hipercalórica reclama que não engorda nem com reza. Sacanagem, Deus! Sacanagem…

Escuta aqui, dona mega-blaster, o segredo não é a reza é a respiração. Pelo menos comigo é assim. É inspirar mais profundamente e pronto. Ganhei duzentos e cinquenta gramas. Não acredita? Tentaí. Só não me venha reclamar depois.

Pois é. Com o tempo aprendi que algumas de nós nascem com o biotipo dos sonhos. Outras, com a inteligência acima da média. E quem não tem nem um, nem outro, faz como eu. Trabalha feito condenada. Depois gasta tudo em cremes. Loções. E oferendas ao santo colágeno protetor.

E sem essa de ficar choramingado mixaria. Mulher de visão investe pesado. Na bolsa. Louis Vuitton, de preferência. Coleção spring-summer. Um chuchu. Descascado em Euros. Mas ainda assim, um chuchu.

E gastou já era. Adianta nada sofrer com isso.  Pelo contrário, piora. Que li não-sei-onde que indecisão tira o viço, envelhece cem anos e ainda por cima abre o apetite que é uma desgrama. Daí de volta a dieta do ovo cozido. Quando de joelhos eu descabelo. Num esforço mortal para acalmar minha atarantada pancinha miserável. Ai que dó!

Eu mesma já torrei a fortuna inteira em tratamentos estapafúrdios.  É. Foi tudo. Incluindo heranças remotas de parentes distantes e o cofrinho cor-de-rosa da filha caçula. Se quer saber, não fui a única.  Sei de amigas que venderam até o carro. E aderiram as bikes, skates e botas de caminhada. Tá. Admito. A maioria desenvolveu bolhas perenes nos pés e severas lesões na coluna. Por outro lado, deram adeus às pontas duplas e estão com a cútis que é um luxo só.  Viu como compensa?

E já que entramos no assunto, acabei de anunciar o meu. Um jeep. Preto. Única dona. Vem com iluminação de led no retrovisor, repelente embutido, filtro solar no para-brisa e refil ilimitado de batom vermelho-beijo-quente. Ah. Quase nem foi batido. Coisa fina.

Aproveite, menina! E coloque o seu na roda. Tá esperando o que, hein?  Afinal, só se vive uma vez…

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