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Primeiro carnaval juntinhos. E ao moço, coube optar.

De um lado o econômico e democrático Bloco do Simpatia É Quase Amor, com milhares de foliões incendiados, gingando e pingando, coladinhos uns aos outros pelos sovacos, quadris e cangotes. Outra opção seria arrendar um exclusivo ninho de amor nalgum canto de ilha selvagem muito pouco visitado. Os olhos da cara, adianto. Mas a privacidade e o conforto valiam. Centavo a centavo. E ele pulou no abismo.

Fechou casa pra dois, mais lancha e luau. Seu dinheiro gastou a rodo. O que fez a pequena suspirar. Portentosa. Mas de repente estancou, numa pergunta inusitada.

_Contei que tenho mãe? Pois é. Hipertensa, pobrezinha. E safenada. Depende de mim pra tudo. Frágil feito canarinho – e ponderou_ Feriado, sozinha? Sei não. Vai que lhe acontece alguma coisa. Já imaginou?…

Daí que o moço parou e pensou. Primeiro, na moça. Depois, nas curvas da moça. Nos lábios carnudos da moça. E quando viu, já tinha dito.

__Tem problema, não. Levamos ela conosco. A gente fica no quarto. Sua mãe, na sala. Num sofazinho.

O que fez a pequena suspirar. Agradecida. Até que de repente estancou, de novo. Por conta doutra pergunta inusitada.

_Contei que minha mãe namorando? Pois é. Cardíaco, pobrezinho. E diabético. Não larga dela por nada. Grudado feito carrapato – e ponderou_ Feriado, sozinho? Sei não. Vai que lhe acontece alguma coisa. Já imaginou?…

Daí que o moço pensou. Primeiro, na praia paradisíaca. Depois, na montoeira de dinheiro torrado nas reservas. E quando viu, já tinha dito.

__Tem problema, não. Levamos ele conosco. Eles ficam no quarto. Você e eu, na sala. No sofazinho.

O que fez a pequena suspirar. Enternecida. Quando de repente estancou. Mais uma vez. Por conta de nova pergunta inusitada.

_Contei que tenho um filho? Pois é. Tísico, coitadinho. E ainda nem saiu das fraldas. Dorme mexendo em meu cabelo.  Miúdo feito pintinho – e ponderou_ Feriado, sozinho? Sei não. Vai que lhe acontece alguma coisa. Já imaginou?…

Daí que o moço nem sabia em que pensar, mas quando viu, já tinha dito.

__Tem problema, não. Levamos ele, também. Vocês quatro ficam no quarto. E eu, na sala. No sofazinho. Sozinho.

O que fez a caipora suspirar. Lisonjeada. Até que estancou. Que novidade. Pra mais uma pergunta, ainda mais inusitada.

_Contei que meu filho tem um cachorro? Pois é. Manco da pata traseira, judiação. E ainda por cima teve hepatite. Magro feito borboleta – e ponderou_ Feriado, sozinho? Sei não. Vai que lhe acontece alguma coisa. Já imaginou?…

__Tem problema, não. Levem ele com vocês. E fiquem com a casa. A praia. As contas. Que eu tenho que dar um pulinho ali, ó. Já tô  voltando…

Sei que sumiu. Deu no pé. Do cruz-credo ninguém soube ninguém viu. Dizem as más línguas que foi visto por aí, noite dessas, mucufado num esquenta lá no bloco. Maçarocado num arrocho que só meu Deus e mais trocentos mil foliando em volta. Numa catingueira danada. Mas feliz, viu? Muito feliz.

Também, quem precisa de privacidade e conforto em pleno carnaval, hein?

Eu, que não…

Quatro marchinhas e um samba-enredo

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