Vai que é tua

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Dia de sol na Vila Olímpica. E na casa dos Silva, também.

Com a mãe tomando posição.

Acorda um, dois, três, põe a casa em pé e eles partem. É café, mochila, um que engasga, outro que golfa, com ela entrando na fase dos arremessos. O bloqueio cresce pra cima dela. Que mira e lança: pratos, copos, fraldas e no rebote vão as crianças. E tem barreira na porta da escola. Mas ela esquiva num lance livre e chama na responsa: é de mãe pra filho, garotinha!

Sai driblando. O tempo passa e o relógio marca junto. É sacolão. Lavanderia. Aula de Inglês. Italiano. Música. Ballet. E Judô no contra-ataque.

A torcida vem com ela. Contagia o time da sujeita apoquentada. Acontece que em casa tomando de lavada: quinze a sete pro frango queimado e o feijão que carunchô nas paralelas. E ela se ressente. Sofre muito a brasileira, viu? Final do primeiro set e a confiança vai lá embaixo.

Esse é o momento da virada. Bota pressão na fila do açougue. Está a uma omelete de vantagem e é match point pra equipe verde e amarela.

Dá nem tempo pra comemorar que as crianças já estão ali, preparadas. O negócio é bola na rede, quebrando a casa toda e bagunçando os quatrocentos metros rasos. E falta no ataque preocupa. Geralmente é sinal de doença. E a mãe não se conforma, pede o desafio. Deu virose. Deixando o time numa situação delicada, contagiando a arquibancada inteira.

Tem bola rolando por aí, com sujeitinho se acabando de bater forte na arena. Mais velho irritante contra mais novo birrento. Valendo vaga na final. Mas a mãe passa à frente do placar e encerra o round. Quem perde chora. Alaga tudo. Agora, é nado peito em piscina olímpica de lágrimas. Modalidade na qual nossa atleta é forte candidata ao título de campeã.

Larga bem e vai se aproximando do final. Enquanto a vitória não chega ela passeia com o cachorro, toma tabuada, trabalha o voleio, paga as contas, varre a sala, responde e-mail do escritório, reclama toque no levantamento e ainda troca WhatsApp com o grupo das Miga, sua loka!

O marido vem pra repescagem. Quer sossego e janta posta. Cama, mesa, banho, uma mulher linda e cheirosa. De preferência, forte na recepção, disposta a um tira-teima pegado, mantendo a bola em jogo e pontuando a madrugada todinha.

Ela se encaminha aos quilômetros finais. A tomar pelas passadas está confiante. Segura dum excelente desempenho. Agora, é torcer por um pouco de sorte. Sem pivete embolando o meio de campo bem no meio da cama. Rezando pra que o caçulinha batesse todos os recordes, dormindo inacreditáveis cinco horas seguidas. Aí, sim, hein? Essa merecia até medalha. De ouro. Onde a galera na geral se agita, e comemora cantando, Euuuuuuu sou brasileiiiiiro, com muito orguuuuulho, com muito amorrrrrr….

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6 comentários sobre “Vai que é tua

  1. Parabéns, Lu. Você é genial. Retratou o dia a dia da mulher brasileira com muita habilidade. Ainda bem que temos essa ginga e vencemos o jogo sempre com um sorriso no rosto. Beijos, Val e Luiz Mauro

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