Era uma vez

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Mais um início tranquilo de aula, até que a professora provocou.

_Ande, Joãozinho. Conte a história para a classe.

_Qual das versões? A do papai ou a da mamãe?

E isso importa?, estranhou a educadora, Porquinho é porquinho em qualquer lugar, oras bolas…

Acontece que com criança, nunca se sabe. De qualquer jeito, tarde demais.

_ Que tal começarmos pela história do papai? – sugeriu o moleque, que seguiu matraqueando_ Aí o lobo mal soprou a casa e fez linguiça apimentada do porquinho mais gordinho. Com os outros, feijoada, que serviu pros parsas lá do morro, com couve brilhosa e caipirinha. Enquanto a lobaiada se acabava num pagode animal. Fim.

_Peraí! – interveio a professorinha _Esse conto está meio embolado: primeiro o lobo soprou e soprou e soprou até que…

_Papai disse que a senhora por fora.

_Oi?

_Lobo asmático não pega nada. Nem gripe. Muito menos porquinho. E dizem a boca pequena lá na floresta, que o tal lobo-vacilão foi realocado. No seu lugar contrataram outro, ganhando a metade e vinte anos mais novo. Que derruba as casinhas só no bafo. Eita vidão…

_E se tentássemos a versão da sua mãe… – sugeriu a moça.

_É pra já – emendou o menino, narrando animadamente _Segundo a mamãe, o lobo nem era assim tão ruim de verdade. Mas tinha umas pendências cármicas e sérios problemas psicossomáticos a resolver. Também, tadinho: mãe ausente, pai alcoólatra…

_Cuméquié?

_Acontece que os porquinhos sentiram a energia fluindo diretamente dele. E de mãos entrelaçadas fizeram tai chi e meditação taoísta. No fim, o lobo virou vegano, mudou com esposa e filhos pro Himalaia e hoje é um canis lupus muito mais centrado e feliz. Fim.

_Eu, hein… – desdenhou a professora_ sou mais o tutu com bisteca do seu pai, que o hambúrguer de aipo da sua mãe.

_A senhora é quem manda – consentiu o moleque, de volta a história paterna_ O lobo, além de tremendamente malvado, era, também, um grandissíssimo dum pegador e tocava um pandeiro como ninguém. Então, liberou a breja, a farofa e o mergulho sem roupa na piscina. Bem quando chegou a Izildinha. Rebolando. Que foi descendo na boquinha da garrafa…

_Cruzes? E quem é essa? A mãe dos porquinhos?

_Taí – ponderou Joãozinho_ Acredita que, também, num sei? Bem nessa hora, a mamãe entrou na sala e mudou todinha a história do papai. Mas no final, até foi bom, viu? Ficou mais animado. Tipo filme catástrofe-pós-apocalíptico, sabe como é, né? Meio Freddy Krueger. Meio Darth Vader. Cuspindo fogo, lançando lazer e metralhando tudo: Buuum! Plaft! Toma! Trátaráta-trátaráta-tráaaaaaaaaaaaaa…

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