Sei não…

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Estava lá o moço. Matutando em como discotecar a última noite de carnaval da turma lá do bairro. Marchinhas. Decidiu por uma sequência inteira delas. E precisava da melhor de todas pra abertura.

Começou com essa, Roubaram o coração da minha sogra. Botaram o coração de um jacaré…

O pai que ouvia meio de lado, fez questão de opinar.

_No seu lugar, tocava outra.

_Por quê?

_ Os tempos mudaram, meu rapaz. Na minha época, a gente ria de tudo. Fazia piada adoidado. Mas, agora, maus-tratos contra animais configuram crime. Vai que alguém do IBAMA escuta um trem desses. Do Greenpeace, então, piorou…

Sob esse ponto de vista, melhor procurar mais um pouco. E mandou, Olha a cabeleira do Zezé, será que ele é. Será que ele é…

O pai rebateu. Na hora.

_Olhe a homofobia…

O fulano tentou outra, Eu mato. Eu mato. Quem roubou minha cueca…

_Apologia à violência…

As águas vão rolar. Garrafa cheia eu não quero ver sobrar…

_Incentivo ao uso indevido de drogas. Lícitas ou ilícitas…

Negâ do Cabelo duro. Qual é o pente que te penteia…

_Negâ, não. Afrodescendente…

A pipa do vovô não sobe mais…

_Estatuto do idoso. Parágrafo único. Artigo quarto…

Até que o guri se encheu. E mandou ver no hino nacional. Tocado naquelas alturas.

_Sei não – ponderou o patriarca _Depois do Petrolão e com essa economia do jeito que está… Num sei não

Sei não

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