Uma senhora de bem

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Outro dia, remexendo um tanto, descobriu um azulzinho em meio as tralhas do marido.
Caiu no choro, Paulo Roberto tem outra!
Fez cena. Minguou. Até surgir um fato novo. Não havia outra. O brinquedinho era pra ela.
Piorou.
Agora, ficou foi brava. Uma pimenta, Onde já se viu? Sou sua esposa, desconjurado! Isso lá é coisa que se proponha a uma mãe de muitos filhos?
_Mas, Ibraina…
_Não tem mais, nem menos! E tome tento, seu velho safado…
_Imagine só, benzinho! Horas e horas de prazer ininterrupto…
_Acha que já não imaginei? – e o arrepio veio, cruzando corpo e alma _ Ande logo. Jogue esse troço fora. Agora, mesmo! Vai, vai, vai, vai…
_Quando contei que o fulano usava, foi a primeira a achar graça!
_Ele usa com a namorada, criatura de Deus! Pergunte se incomoda a esposa com zonzeiras? Pergunte?
_E você? Que tal ser minha namorada de novo, hein? Hein?
Cruz credo, pé de pato, mangalô três vezes! E saiu. Numa benzeção danada casa afora. Com ele atrás, mascando, Pense nas vantagens, mulher! É negócio da China, escute o que estou dizendo…
Ela ligou o rádio bem alto. Na oração da manhã. E cantava junto, lavando louça e maldizendo.
Ele? Não arredou pé, moscava e insistia.
_Tenho um amigo que tomou dois de uma vez! Disse que os efeitos duraram dias…
A cena passou diante dela, que mareou. Feio. Mas, curiosa que só vendo, não resistiu e quis saber, Quantos dias?
_Três!
_Três???
_Firme que nem varal…
Não disse sim, mas, também, não disse não. E ele retomou.
_Tentar não mata. Vai que gosta…
_E o trabalho? E a janta? A casa, quem varre, posso saber?
_Quando se vê, já acabou e achou pouco. Vai por mim, que é coisa boa – e catando a pobre pelas ancas, emendou _É pá, pum e tchanananan!
Encrespou-se toda, até onde não via mais _ Cê que vá tchanananar lá pras bandas das suas negas! E quer mais? Aqui, nem morta! E deixe o padre saber disso…
_Padre? Que padre? Tá doida, Ibraina?
_Isso é safadeza, Paulo Roberto! E das grossas…
Desceu o bico, encerrando a conversa. Na mesma tarde botou fora o tal remedinho milagroso. Pra tristeza do outro, que nada pode. E ainda teve que aguentar, Na rua, a gente até entende. Mas, dentro de casa e com a própria esposa? Onde já se viu, Paulo Roberto! Sou uma senhora de bem, está me ouvindo? Uma senhora de bem…

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