A mãe da Chiquita Bacana

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Carnaval é festa de solteiro. Folia dos que ainda não desenvolveram matilha.

Mulher com barriga e penca, nem em banho da Dorotéia faz sucesso. Melhor é periguete, mesmo. Para os outras existe o desfile na televisão. Ou as afamadas matines. E não adianta espernear. Carnaval é Carnaval. Matinê é invenção de genitora. Não sabia, não? Ô, dó…

E as diferenças são muitas. Claras como o dia. Que é inclusive uma das mais marcantes adaptações. Tchau, quatro noites de Momo e Oi, duas tardes da Mama.

Pronto. É o que temos. Um cordão de mães ensandecidas. Desesperadas por um punhadinho de confete que seja. Loucas pra se jogar ao primeiro acorde de Mamãe-eu-quero. Mas Ilarilarilariê também serve. E Justin Bieber? Tá em ritmo de repique? Opa. Vale, também.

Geralmente, os primeiros cinco minutos vão bem. Até demais. Bem quando o menorzinho pede colo. Ou xixi. Ou cocô. Enquanto o amiguinho, aquele primo-vizinho-da-mesma-classe, chora com medo da música alta (que mãe que é mãe, é assim: não basta levar os seus, tem que arrastar mais uns cinquenta com ela).

Resumindo, criança não falta. Em corpo presente. Pois a alma ficou em casa. No computador. Jogando DS. Xbox. Wii. E Essa tralha toda que a gente nem sabe como é que funciona. Mas que eles adoram. Muito mais que bailinho de carnaval.

A banda é um show a parte. Já que o gogó de ouro não aparece. Nem pro grand finale. Está repousando. Pra entreter a turma da noite. Os afortunados. Que saem depois das onze. E vão que vão. Até o dia clarear.

Matinê é osso. É Gaza. Terra de ninguém. Onde manda quem pode e obedece quem é casado. Afinal, eles também estão lá. Os maridos. Contritos e em bloco. Fantasiados de homem-poste ou de vai-ver-se-estou-lá-na-esquina. E pulando. Miudinho. Atrás de uma cerveja gelada. Há sempre aquele um ou outro que se pode ver carregando o rebento no cocuruto. Vai saber o que esse aprontou. Cada família uma sentença. Com apostrofe. E regras gramaticais as mais diversas possíveis.

Voltemos, então, as crianças. Aquelas. Socadas em fantasias que brilham. Coçam. E pinicam. Arrastadas pelo salão entulhado e barulhento. Que deixam o rígido controle de higiene de suas casas, pra catar serpentina do chão melado. Se acabando em espuminha.

É, meus amores. O melhor de tudo isso é que um dia vocês crescem. E se vingam. Se forem meninos. Ou se juntam a folia. Se forem meninas.

Quanto a mim, preciso correr. Que amanhã é sábado. E vai ter bailinho de garagem na casa de uma chegada. Quem sabe dá até tempo para um trenzinho. Antes que a minha pequena comece, Mamãe, vamô imbora. Quero ir. Anda. Vamô. Manhêêêêê

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