E aí, vamos?

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Quarta-feira era puxado. Com ele operando em São Paulo, enquanto ela dava aulas na Baixada. A criançada ninguém nem via. O dia inteiro na escola. No integral. Os três. Duas de cinco e um de oito. Que a avó entregava bem tarde. Banho tomado. Barriga cheia e capotando. Só deitar e dormir.

Por isso ela estranhou a ligação. Bem no meio da tarde. E atendeu ao primeiro toque.

_Algum problema? – tratou logo de perguntar.

_Tá ocupada? – foi a resposta que obteve.

_Não. Minhas aulas foram transferidas. Devo dobrar amanhã. Por quê?

_Estou sem agenda – ele emendou _ Quanto tempo leva para descer?

Aquilo sim era novidade. De onde estaria ligando?

_E as cirurgias? – ela insistiu.

_Hoje? Nenhuma – e acrescentou, num tom pra lá de diferente _ E aí, vamos?

Será? E por que não?

_Mas as crianças… – tentou ponderar.

_ Esqueça as crianças. À noite a gente pega…

É. Na dúvida, melhor não desperdiçar

_Que bicho te mordeu? – quis saber, enquanto socava tudo na bolsa e preparava-se para sair.  

_No caminho te conto. Ande logo. Venha…

Se encontraram no carro. Em frente a saída principal.

_Estou daquele jeito – disse ele, baixando a voz.

_Quer saber? Eu também…

_Jura?

_Uhum…

A correria das festas. O vuco-vuco do final de ano. As crianças. A vida. A Síria derretendo. Ibovespa em alta e nenhum tempo no mundo para eles. Nunca.

Ela já sabia onde iam. E achou graça. Ele acelerou. E partiu. Primeiro passaram em casa. Pra pegar umas coisinhas e seguir viagem. Antes, ela deu um google. E veio a lista. Completa. Os melhores motéis da cidade. Com fotos. Hashtags e promoções.

Escolheram um. Confortável. Meio na sorte e bem no meio do caminho. Às dezessete e trinta e quatro de um tarde muito quente.

A suíte, bacanuda, até que combinava com dia. Totalmente fora do lugar comum. Com Piscina no quarto. Hidro. Cromoterapia. Pistinha. Teto solar e um milhão de canais eróticos, com sacanagem para todos os gostos e até dizer chega. É hoje, meu Deus. É hoje…

Ele afofou os travesseiros e ficou. Esperando. Por ela. Que veio na sequência. De gatinho. Até parar. Em frente ao maridão. Que sussurrou, mansinho _ Venha. Deite aqui…

_Assim?

_Não. Assim, não. Tire.

_E isso? Fica?

_Tire, também.

_Tem certeza? Quanto tempo temos?

_Preciso de quatro horas. No mínimo…

_Você tá que tá, hein? Melhor ligar para os meus pais…

_Faça isso.

Ela foi e voltou. Cara de quem vai fazer bobagem. E não vê a hora pra começar. Ele já tinha tudo ajeitado. Aí ficou fácil.

Foram encostando e desmontando. Quem dormiu primeiro, ninguém viu. Mas roncavam. E Alto. Acordaram na marra. Com o barulhinho chato do alarme do relógio dele.

_Quero mais – ele pediu, guloso.

_Jura? Cê dá conta?

_Opa! Como nos velhos tempos, lembra?

_ Ô…

_E aí? Aguenta? Então venha cá, minha gostosa…

 E enroscaram. De novo. Agora, com mais força. Bocas abertas e babando. Imersos num prazer inenarrável. Escandaloso. Por mais quatro horas ininterruptas. Pra sair desabalados porta afora. Cabelos molhados e cara de missão cumprida. Depois de duas. Seguidinhas. E sem sair de cima. Eita, delícia…

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