O Maior Amor Do Mundo

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Ainda ontem, me peguei te olhando.

Lembro bem quando você entrou na minha vida. Como se fosse hoje.

Uma coisinha tão “pituca” que às vezes mal se via. Mas se sobrava, era nas roupas. Pois ao colo se ajustava como a uma luva. Como se anterior a bailarina, ao bombeiro, ou professor, existisse um pai e uma mãe. Alguém nascido com o propósito de amar esse menino. Sem nem mesmo conhecê-lo. Antes de tudo. E dali em diante.

E como você chorava. Também mamava um bocado. Pra chorar tudo de novo. Com que força e dramaticidade. O cardápio variado incluía febre, garganta e barriguinha. Sempre as madrugadas. Feriados e finais de semana.

Tinha ainda o carrinho que pinicava. Os dias que acordava do avesso e não topava ninguém. Se sossegava, era comigo. E olhe lá, que tantas vezes te venci foi no cansaço. Com dia encavalando noite. Onde o sono que te faltava, fiz questão de resgatar. E acumular todinho.  Pra depois arrastar casa afora. Cansada. E feliz. Como nunca em toda minha vida.

Agora, que virou criança, fazemos quase tudo juntos. E percebi que ainda sei brincar. Mas se acontecer da brincadeira desandar, aí, melhor rever o rumo dessa prosa. Antes que a manha vire birra. Encorpada e bochechuda. Vinte quilos bem pesados de independência precoce e da mais pura teimosia.

E quem disse que ensinar não é amar? Dizer não, também faz parte. Tão vital e necessário quanto encher de beijos e sair pra passear. Sendo assim, sirvo-me de fartas porções de combinados, conversas francas e pitos merecido. Mesmo que não goste. E nem me entenda.

 Dizem que espichou. Ganhou corpo. E virou moço. Pra mim, a carinha ainda é a mesma. Mas sei que anda mexido. Mudaram as passadas. O volume das lições. E a tônica das perguntas.

Você vai me testar. Responder às avessas. Sair correndo, quando preferia que ficasse. Numa ausência anunciada de tudo aquilo que já não volta mais. Como se uma botoeira mágica fosse surgir de repente. Enorme. Vermelha. Onde se lê, em letras garrafais, Em caso de crescimento acelerado, quebre o vidro. Imediatamente. 

Virão outros aniversários. Formaturas. E com elas os estágios. Empregos. O primeiro porre. E o primeiro amor.

Até chegar o dia que não vou mais te buscar. Hoje, é você quem dá carona. Quem aconselha. E, às vezes, ri de mim. Que ainda sou a mesma. Aquela. Meio fora de moda. Que não dorme, nem sossega, esperando você chegar. Com a cama pronta e o leite no jeitinho. Vai que precise de algo. Ou mesmo se não precisar. Sei que ainda não me entende.  E vai dizer que exagero. Que não vi que virou homem. Mas eu vi, meu querido.  Ô, se vi…

Já faz tempo que a gente não se fala. É natural. Acontece com quem mora longe. É. Meu grande amor, virou visita.  E vivo assim, intercalando presença com saudade. E se não vem, reclamo. Que sinto falta. Que vi suas fotos outro dia e deu uma vontade louca de chorar…

Eis que um dia, você vem acompanhado. E de umas vou gostar mais que de outras. Mas a escolha e sua. E sei que vai se ajeitar. Do meu lado, faço votos. E me desdobro. Fiel na torcida. De butuca e de pertinho. Sem deixar de acreditar. 

Soube por outros que vai viajar. Mudar. Errar. Acertar. Desgarrar de vez. Voltar. Lombar mundo e até casar.

 Logo virão os netos. E aí, sim. Vou te pegar me olhando. Como quem finalmente entendeu tudo. Bastou pôr os olhos naquela criança. Pois é…

Então, aproveite! Que vai passar voando. E nunca será suficiente. Vai por mim. Que de saudades, eu entendo. E conheço como ninguém.

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