Ainda aprendo.

Deixe um comentário

Sai ano. Entra ano. E, quando a gente vê, lá se foi março, abril e maio.

Carnaval? Não deu nem pro cheiro. Bastou piscar, virou setembro. E marque passo pra você ver: dormiu outubro, acordou dezembro. Aí, finou-se. Melhor tratar logo de voltar ao parágrafo inicial. Mesmo que um tanto mais cansada, depois dessa maratona toda de final de ano.

Não me refiro aqui a nenhuma São Silvestre (porque pra essa tem preparo. E refeição balanceada na véspera). Falo das inúmeras listas e seus zilhões de preparativos.  Do muito a se fazer, bem quando os carros param, as filas dobram e o dinheiro míngua.

Todo ano é a mesma coisa. Uma presepada homérica, que, aliás, segundo marcações em meu calendário, começa meses antes. Em agosto, pra ser mais exata. Pouco antes do Dia dos Pais.

Nada contra o seu Gerval. Aquele. Meu doce paizinho. Que, diga-se de passagem, é até bem fofo. Desses facinhos de agradar. Que faz o tipo tudo-tá-bom. E serve. E combina. E, o que é melhor, ele usa. Até gastar!

Ser filha é moleza. Difícil, mesmo, é ser esposa do pai das minhas filhas. Achou estranho? Pode deixar que explico:

Criança presenteia, mas quem compra é o adulto. E é aí, justamente aí, que reside meu sufoco. Foi-se o tempo em que os pais ganhavam meias. Gravatas. Ou lenços de bolso. Mas o mundo mudou. Impôs novas regras. E eu que me vire pra fazer esse homem feliz (regra número um do presente de sucesso: criatividade. Número dois: praticidade. E, ainda por cima, o “mimo” tem que ser útil. Vixe).

Entra em cena a lei da relatividade: um colar de diamantes com fecho automático de zircônia é criativo. E, com certeza, muito prático. (ao menos pra mim, não sei quanto a eles). E que tal um secador ultrassônico, que alise, modele e reverta os brancos? Quer algo mais útil? Se tem não conheço. Nem nunca ouvi falar.

E não para por aí. Além de “bacanudo”, tem que ter precinho. Um custo benefício de saldão das almas (ou corro o sério risco de ouvir num ad eternum perpetuum a ladainha envolvendo meus fartos atributos perdulários).

Por outro lado, se barganhar demais, periga acabar outra vez em chorumela. Pior ainda que a primeira. Com direito a reverberação. E essa é macabra. Pois na sequência, vem meu aniversário. Depois, Natal. E presente é bom. E eu gosto. Demais da conta!

Então apelo aos Deuses. E ao mundo subjetivo. Esquecendo de vez os perfumes. Os cremes pós-barba. E os sapatênis de solado branco. Parto em busca da redenção. Do caminho que leve a Shangri-la (seja lá onde isso fique). Presenteando com alma. Estilo. E o que de melhor pode haver em toda a terra: ou seja, eu. Euzinha da Silva Santos. Em embalagem premium. Double deck. Medalhada e prontinha pra viagem.

Então tá. Mesa posta pro jantar. Agora é só despachar as meninas e dar aquele tapinha básico no visual. Um trato aqui, uma bossa ali e voilá!

Se bonita ou feia, pouco importa, já que ninguém viu. Ou se viu, nem ligou. Só sei que cheguei tarde. Com o primeiro tempo adiantado. Quatro escanteios e um gol de falta, antes mesmo dos vinte e cinco iniciais.

Tento uma reviravolta. Um troço qualquer que impactasse. Como um repuxado a mais no decote ou aquela cruzada infalível de pernas.

Nada. Também, que podem meus pobres cambitos contra as bitelas rasgadas do atacante? Babar nas coxas do Luis Figo, ainda vai. Mas pelo Dentinho? Ui! Pra que Blondor, me diga? E sem essa de cera de mel, ou esfoliação. Quer Ibope? Tente é um bom par de chuteiras. Calção meia sola e camisa dez da seleção. Um arraso. Vai por mim…

Sigo ali. Devidamente posicionada. Toda fofinha e cheia de expectativas. Esperando por ele. E pela noitada. Que segue encruada, quase azedando.

Acerto a pose. E o vinho. Finalmente ele se toca (da garrafa, o que a essa altura, já é um bom começo). E faz menção às vacas magras. Algo envolvendo uma possível situação de descabido desperdício. Bem quando teve um insight_ Faz assim, ó: aproveite que tá em pé e ligue pro Deco. Depois pro Galvão. E mande chamar mais dois, que é pra inteirar o pôquer. Tô sequinho por um royal flush!

Cruzou a sala gingando. Todo animado. Pra deparar comigo, de camisola e salto doze. Na maior cara de num-tô-crendo que já se viu na minha história.  

_Vai ficar aí, assim? – perguntou ele _ Credo, Ana, veste um troço direito! Eu, hein…

É. Viu, só? E ano que vem tem mais. Mas, dessa vez, estarei prevenida. Promoção de aparador de pêlos de nariz, aí vamos nós! Sem medo de ser feliz. O pior é se eu emplaco. Ô, vida. Ô, coisa…

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s