Velha é a vovozinha!

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Se era mais fácil viver e ser feliz nos tempos idos de minha avó, juro que não sei precisar. Mas uma coisa é certa: não se fazem mais senhoras como as de antigamente.

É só pegar uma foto pra entender do que estou falando. As vovós da era Telefunken (aquele caixotão com antenas e movido a palha de aço), tinham cara e pinta de nonna. Hoje, elas seguem camufladas. Se não chamar de , ninguém sabe. Passam fácil por mães. Ou tias.

Tudo mudou. Até no look. De Dona Benta a Christiane Torloni. Assim. Num pulo. Longe se vão as avozinhas de rosto abolachado, madeixas platinadas e mão santa pra fazer bolinhos. Cozer, benzer e chulear.

Quem não se lembra de alguma famosa fornada fumegante, que a simples menção já faz lotar a boca e o coração da mais tenra saudade?

Aonde foram parar as avozinhas de quitutes nababescos? Quer saber? Mesmo? Casaram e mudaram. E vou além. Morfaram!  Trocaram de turma. De vida. E de vez.

Hoje são magras. Esguias. Cabelos curtos e tingidos. Muitas delas sem mão nem pra fritar ovo. Bolo? Só de micro-ondas (e correndo um grande risco de embatumar).

Mas antes que minha filha se ressinta da avó que teve, vale lembrar que o tempo passou e minguou para todas. Se faltam horas e fôlego para nós, que só temos filhos; imagine para elas, que já criaram os seus e agora cuidam dos nossos.

A vovó, que antes tecia e bordava; agora, trabalha fora. Dirige ônibus. Leva os netos à escola. Ao Ballet. Natação. Judô. Inglês e alemão.

Elas dão banho. Comida. Escovam os dentes. Põe pra dormir e, de lambuja, consolam o menorzinho, aquele que se recusa a ir com elas, exigindo a presença imediata de uma mãe assoberbada e culpadíssima (que daria um braço pra que tudo fosse diferente, mas não dá. Não tem como. Então, pede socorro. E é a vovó quem aparece).

Podem não entender de planilhas. Nem tabelas. Mas quando o assunto é a netaiada, a coisa muda de figura: postam fotos. Vídeos. Jogam wii e usam skype para dar boa noite. Tudo por um sorriso banguela. Desses de desandar coração.

Foi assim. Com tanto nó pra desatar. Mais filho e neto para acudir. Que elas secaram. Aprenderam na marra o que não sabiam. E se entregaram, de corpo e alma. Alçando níveis de comprometimento jamais sonhados por nenhuma de suas antecessoras.

Com menos tempo e atribuições redobradas, algo teria que ser sacrificado. Lá em casa, graças a Deus, que foi o frango. Aquele dos almoços de domingo. Que hoje correm por conta do genro e suas picanhas maturadas. Assim, sobra tempo pra um colo antes do cafezinho. E um dedo de prosa, que se pudesse esticaria mais um monte de tanto. Mas é tarde. Amanhã as crianças acordam cedo. E, as segundas, é o avô que leva e a avó que busca.

É. O mundo está realmente mudado. Mais que isso. Mexido. O bom é saber que algumas coisas se mantêm. Sempre ali. Quietinhas.  Imutáveis e boas. Que nem cafuné de vó. E bolinho de chuva.

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